Gordura vegetal ou animal: o que realmente prejudica o coração?

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Gustavo Pretto

Cardiologista

Quando o assunto é saúde cardiovascular, a discussão costuma ser simplificada em “gordura animal faz mal” e “gordura vegetal faz bem”. Essa divisão é incompleta. A pergunta mais adequada não é a origem da gordura, mas qual tipo está sendo consumido, em que quantidade e dentro de qual contexto metabólico.

As gorduras podem ser classificadas em saturadas, insaturadas e trans. As saturadas estão presentes em alimentos como carnes gordurosas, embutidos, manteiga e alguns laticínios integrais. Em excesso, podem elevar o LDL, conhecido como colesterol “ruim”, especialmente em pessoas geneticamente predispostas. Já as gorduras insaturadas, encontradas no azeite de oliva, abacate, castanhas e peixes, tendem a melhorar o perfil lipídico, aumentando HDL e reduzindo inflamação quando substituem gorduras saturadas na dieta.

As gorduras trans, por sua vez, são as mais prejudiciais. Presentes principalmente em produtos ultraprocessados e alimentos industrializados, aumentam LDL, reduzem HDL e promovem inflamação vascular. Seu consumo está fortemente associado ao aumento do risco de doença coronariana.

Outro fator determinante é o excesso calórico crônico. Independentemente do tipo de gordura, o consumo energético acima do gasto favorece ganho de peso, resistência à insulina, aumento de triglicerídeos e inflamação sistêmica — todos elementos que impactam negativamente o coração.

O mito de que margarina é automaticamente melhor que manteiga também merece análise. Margarinas antigas continham altas quantidades de gordura trans. Atualmente, muitas formulações foram modificadas, mas isso não transforma o produto em alimento protetor. A comparação isolada ignora quantidade, frequência e qualidade geral da dieta.

Dietas inflamatórias, ricas em açúcares refinados, ultraprocessados e gorduras de baixa qualidade, aumentam estresse oxidativo e disfunção endotelial. Em contraste, padrões alimentares equilibrados, como aqueles ricos em vegetais, fibras, gorduras insaturadas e peixes com ômega-3, estão associados a menor incidência de eventos cardiovasculares.

Portanto, não se trata de demonizar alimentos específicos. Pequenas quantidades de gordura saturada dentro de um padrão alimentar equilibrado podem não representar risco significativo para a maioria das pessoas. O problema está no excesso e na substituição de alimentos naturais por produtos ultraprocessados.

Leia também: Histórico Familiar de Doença Cardíaca: o que fazer para se proteger? 

Além disso, cada organismo responde de maneira particular. Avaliar exames laboratoriais, como colesterol total, frações LDL e HDL, triglicerídeos e marcadores metabólicos, permite ajustar a alimentação de forma personalizada.

Equilíbrio, qualidade e contexto são mais importantes que rótulos simplistas. O coração é impactado pelo conjunto das escolhas ao longo do tempo, não por um alimento isolado consumido ocasionalmente. Você ainda possui dúvidas? Marque sua consulta e saiba mais. 

Quem é o Dr. Gustavo Pretto?

Dr. Gustavo Pretto é graduado em Medicina pela Universidade Federal de Pelotas (2003). Realizou residência médica em Medicina Interna (Clínica Médica) na Universidade Federal de Santa Maria (2004–2005) e, em seguida, especializou-se em Cardiologia pelo Instituto de Cardiologia do Rio Grande do Sul (IC-FUC).

Iniciou sua trajetória clínica em 2008, na cidade de Ijuí, onde também atuou até 2022 na UTI Coronariana do Hospital de Clínicas de Ijuí, além do atendimento em consultório

Em 2021, ampliou sua área de atuação ao iniciar a especialização em Cardiologia do Esporte, sendo um dos responsáveis por introduzir o exame de ergoespirometria na região noroeste do Rio Grande do Sul. É aluno da primeira turma de pós-graduação em Cardiologia do Esporte da Faculdade Brasília (FBD). Atualmente, o Dr. Gustavo divide sua rotina entre a Cardiologia Clínica e a Cardiologia do Esporte, oferecendo atendimento completo, atualizado e personalizado para cada paciente.

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